terça-feira, 30 de junho de 2009

Filosofias que garantem a excelência institucional

As filosofias que orientam missão, negócio, visão e valores da instituição realmente refletem a atual postura da IES frente à realidade do mercado?

O acesso ao curso superior, há pouco mais de 15 anos, exigia do candidato uma preparação digna de atleta. As pesadas provas dos processos seletivos eram aplicadas em até três dias consecutivos, fato que provocava arrepios naqueles que almejavam uma vaga no curso superior, mesmo em faculdades particulares. Os vestibulares das poucas faculdades existentes eram bastante disputados.

Para aqueles que buscavam as universidades federais, a situação era ainda pior, já que a forte concorrência obrigava a uma preparação cada vez mais complexa. Cursinhos preparatórios, terapia com psicólogos, estudo em grupo, plantões que invadiam finais de semana, horas de estudos que adentravam pela madrugada, tudo era necessário na disputa das escassas vagas nos cursos superiores.

Assim como todo setor econômico, o mercado educacional passou por mudanças significativas nos últimos anos, principalmente no final da década de 90. Diferente de outrora, onde o acesso aos cursos era “coisa” para poucos, hoje, cursar uma faculdade está bem mais fácil. Os processos estão “bem light” e já não representam mais obstáculos, nem mesmo para os menos preparados.

Frente a esta realidade, não são as faculdades que estão mais “solidárias” com os candidatos. A explicação para tal fenômeno é simples: sobram vagas no mercado e faltam consumidores (alunos) em mais um típico exemplo da “Lei da Oferta e da Procura”. É certo que o preço dos cursos ainda obedece um percentual mínimo, mas cada prospect é disputado “no grito” pelas instituições de ensino.

Nos últimos anos, o Brasil presenciou um “boom” do crescimento no mercado educacional. Segundo dados disponíveis no site do INEP, em 2000, existiam apenas 864 faculdades no país. Jáem 2004, o número saltou para 1.474 instituições de ensino do tipo “faculdade”, número que corresponde a um aumento real aproximado de 70% no número de novas faculdades.

A oferta de cursos superiores no Brasil também aumentou na mesma proporção em que surgiam novas instituições de ensino. Em 2000, havia uma oferta de 10.585 cursos de nível superior, oferecidos em universidades, centros universitários, faculdades integradas, faculdades, institutos e centros de educação tecnológica. Em 2004, o número aumentou para 18.824, percentual que representa um incremento de 77% na oferta de cursos de nível superior (bacharelados, licenciaturas e tecnológicos).

O aumento na oferta no número de cursos e também o surgimento de novas instituições de ensino possibilitou o acesso ao ensino superior de uma parcela significativa da população. Até mesmo quem estava “há algum tempo” sem estudar, passou a ocupar o banco em alguma faculdade. A generosa oferta de cursos superiores no Brasil abriu as portas para muitos brasileiros.

No momento em que o setor educacional experimenta um crescimento nunca antes vivenciado, surgem novas modalidades de ensino. Cursos oferecidos no sistema semi-presencial, cursos tecnológicos de curta duração, fusões de grandes grupos educacionais, novos recursos incorporados à sala de aula promoveram uma verdadeira revolução no Brasil.

E, para fazer frente a toda esta série de mudanças e adquirir a tão almejada evidência no mercado, é preciso uma postura séria, responsável e ousada por parte da instituição de ensino. Em tempos de profundas mudanças mercadológicas, toda e qualquer organização deve estabelecer metas e buscar resultados cada vez mais satisfatórios. E, para traçar planos, o primeiro passo seria o estabelecer quais são as premissas que orientam missão, negócio, visão e valores.

Uma vez definidos, tais termos funcionam como “guias” rumo à excelência organizacional. Todavia, não é raro depararmos com casos onde missão, negócio, visão e valores são esquecidos em quadros na parede. Ali estão, estáticos e anônimos, servindo apenas como elemento de enfeite para determinado setor.

O pensamento que ganha forma por meio da “missão” é muito mais do que uma frase de efeito. O termo orienta atitudes da empresa frente às diversas realidades sociais, econômicas e culturais e deve ser seguido à risca por todos os membros que compõem a organização, desde níveis superiores até cargos operacionais.

A avaliação periódica da “missão” e a implementação de ajustes necessários a atual situação da organização devem ser uma preocupação constante por parte dos gestores educacionais, uma vez que o termo constitui uma ferramenta de extrema importância no fortalecimento de planos para o desenvolvimento institucional.

É certo que a “missão” ganha mais força quando promove uma completa integração dos diversos setores e passa a fazer parte do cotidiano da instituição. Talvez o maior desafio seria colocar todos os colaboradores, suas posturas, suas formações pessoais e acadêmicas, em sintonia fina com o ideal da instituição.

Devemos pensar que o mercado avança ferozmente, seja em oferta de cursos, seja na disputa por uma demanda cada vez menor de alunos. Somente as melhores instituições de ensino irão sobreviver, adquirindo maturidade em seu ramo de atuação. Desta forma, acreditamos que aquelas organizações “realmente fiéis” aos seus princípios irão colher os melhores frutos da lavoura.

Imprensa e marketing: uma parceria possível?

Apresentar um produto ou serviço ao mercado não é tarefa fácil. Cada vez mais consciente de seus direitos, o consumidor nunca preocupou-se tanto com qualidade, preço e atendimento como agora. E para satisfazer suas necessidades, não economiza esforços. O consumidor percorre várias lojas, reclama sobre defeitos, exige presteza e respeito, solicita descontos... O poder de compra, arma daqueles que consomem produtos e serviços, deve ser utilizado da melhor maneira possível.

Diante de todo esse poder, as empresas acabaram por curvar-se frente ao consumidor que é tratado como um verdadeiro rei sentado no seu trono. O cidadão que sai às ruas todos os dias para comprar algo ou para contratar determinado serviço é o alvo das empresas. É preciso ouvir o consumidor e identificar quais são suas reais necessidades de consumo. O sucesso de uma empresa está relacionado com a satisfação de seus clientes.

Hoje, pequenas, médias e grandes empresas, de diversos segmentos sócio-econômicos, preocupam-se cada vez mais com seus consumidores. Empresários quebram a cabeça para realizar um bom marketing em torno de seus produtos e/ou serviços. O cliente não é uma criança ingênua que aceita qualquer coisa. É preciso convencer o consumidor com argumentos inteligentes e soluções acessíveis.

Para cativar esse ser tão sensível e suscetível de emoções, as empresas estabelecem metas e desenvolvem ações através do marketing. Se uma empresa trabalha com determinado produto ou serviço, fica fácil gerar informações sobre o bem produzido. Trata-se de algo concreto, visível aos olhos e que pode ser avaliado através dos sentidos. O consumidor pode pegar, apalpar, observar, questionar como um maior referencial de realidade.

E quando o bem produzido pelas empresas são idéias e opiniões, os produtos da indústria jornalística? Na imprensa escrita, por exemplo, como convencer o leitor de que o jornal "A" é melhor do que o jornal "B"? Separado por uma linha da objetividade e da subjetividade dos acontecimentos, o jornalista lança em um pequeno pedaço de papel um recorte do real. Como produzir ações de marketing em torno desta realidade concreta e abstrata?

Os jornais, assim como qualquer empresa, perseguem ferozmente seus consumidores, ou melhor dizendo, seus leitores. Diferente do que aconteceu na época do Iluminismo, onde os jornais eram utilizados por alguns poucos privilegiados na divulgação de suas idéias, hoje, a imprensa escrita produz em escala industrial. A informação, mesmo sendo algo abstrato, deve ser divulgada para um maior número de pessoas e em um espaço de tempo cada vez menor.

Frente a esta realidade, a informação virou produto. A simples tarefa de se produzir uma notícia sobre determinado acontecimento relevante e de interesse coletivo segue uma série de regras e normas impostas pelo mercado. E as empresas jornalísticas brigam entre si e esbajam criatividade para deixar a notícia mais agradável aos olhos do leitor-consumidor. E neste combate, vale tudo, já que o mundo tem sede de informações.

Antes de se produzir alguma notícia sobre algo é preciso saber se assunto será absorvido pelo público interessado. Não faz sentido, desperdiçar uma pilha de jornais por falta de leitor. Identificada a necessidade de informação, o produto "notícia" recebe uma roupagem adequada às exigências do leitor. Ganha formas e status como se fosse uma jóia desejada por todas. E quando o produto está pronto, é preciso mostra-lo ao mundo.

O produto "notícia" é como o produto "sabonete". Este pode cair das mãos da protagonista da novela das oito e levar milhões de consumidores a procurá-lo nas prateleiras dos supermercados. A notícia também pode estar nas mãos desta mesma atriz. Ela pode, por exemplo, ler determinado jornal em um restaurante, evidenciando sua preferência por este veículo de comunicação. Aqui, o processo é bem mais sutil. No entanto, o jornal é um produto como outro qualquer e justifica ações de marketing.

 
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