A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que extinguiu a obrigatoriedade do diploma de curso superior de jornalismo para o exercício da profissão, resultou em manifestações por todo o país. E não é para menos. Sou jornalista formado, graduado em comunicação social com habilitação em jornalismo pelas Faculdades Pitágoras, e estou aqui para apoiar toda e qualquer tipo de manifestação a favor do diploma. Investimos pesado em altas mensalidades, perdemos horas e mais horas de sono estudando, renovamos sonhos, buscamos os nossos ideais... Agora, depois disso tudo, eles simplesmente falam que "o diploma" fere o princípio da liberdade de expressão e que qualquer pessoa, de qualquer área de atuação, pode trabalhar em uma redação, redigindo textos, apurando fatos, entrevistando fontes...
O engraçado é que, volta e meia, o assunto passa a fazer parte do rol das decisões políticas. Em 2005, após quatro anos de debates e discussões sobre a profissão de jornalista, o Tribunal Regional Federal (TRF) em São Paulo decidiu votar pela obrigatoriedade do diploma obtido em curso superior para o exercício profissional. A decisão, anunciada no dia 26 de outubro, representou uma vitória para a categoria e derrubou o parecer da juíza Carla Abrantkoski Rister, que foi contra o diploma para exercício da profissão em 2001. Por meio de uma simples assinatura, Carla Abrantkoski ignorou a existência do Decreto-Lei nº 83.284/79, que dispõe sobre a regulamentação da profissão de jornalista no país.
Lamentavelmente, a decisão do STF jogou "um balde de água fria" nos sonhos de estudantes e profissionais formados. Assim como os nossos ministros do STF, que encontraram na formação superior o caminho para o crescimento pessoal e profissional, buscamos na universidade o melhor caminho para o nosso futuro. Pior do que a decisão do Supremo, foram os editoriais de vários órgãos de comunicação, que apoiaram a decisão. Sem dúvida, o pior deles foi o do Jornal Nacional, na voz de William Bonner... É claro que os órgãos de comunicação são contra a exigência do diploma, já que, amparados pela Lei, poderão contratar qualquer "pica-fumo" para a função, pagando, por consequência, os piores salários possíveis...
Bom, se o mercado vai seguir "a risca" a decisão do STF somente o tempo irá dizer... Agora, acredito na formação superior como mecanismo de desenvolvimento profissional. Somente o diploma, o sentar no banco de uma universidade, possibilita o conhecimento por completo. "O jornalismo é, sim, uma área de conhecimento específico que possui decisiva importância sobre as dinâmicas sociais em que está inserido. E, que, por isso, tem uma responsabilidade acrescida sobre a emancipação ou não dos sujeitos e da sociedade. E, como toda profissão que possui tal responsabilidade social, o jornalismo deve vir acompanhado de três elementos fundamentais: formação de qualidade, liberdade de expressão e limites ao exercício dessa liberdade", explica Isabelle Anchieta, mestre e pesquisadora pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) no curso de Comunicação Social (Fafich).
Vamos seguir firme nesta longa caminhada a favor da valorização da profissão de jornalismo.

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